9 de agosto de 2018

Por um design mais cidadão

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Texto por: Mariana Guimarães – Designer em formação

Sabemos que o designer trabalha com a visão projetual, uma visão sistêmica que pode ser usada para diversas finalidades, inclusive a social. E pensar no social vai para além do gostar ou do querer, mas tange à nossa responsabilidade enquanto profissionais e cidadãos.

O Design, por ser uma área de conhecimento multidisciplinar, conecta vários atores e garante que o percurso culmine em algo criativo e que corresponda às necessidades e desejos do usuário. Se nosso usuário for a sociedade e nossos projetos forem além do visível e palpável, nós projetamos experiências e reações. Este design contemporâneo permeia uma gama de setores e novos caminhos que nos tornam aptos a despejar no mundo produtos, serviços e experiências mais responsáveis, que garantam a melhoria de pessoas em situações econômicas, social e moral desconfortáveis e, sobretudo, do meio ambiente.

Desde o início, nossa profissão ajudou a acrescentar produtos, a gerar tendências e moda e a modificar os atos de consumo. A consciência de que promovemos esta mudança pode ser o melhor caminho para sermos mais cidadãos, não apenas quando estamos andando na rua e ajudamos uma pessoa idosa, mas também quando estamos projetando. Esta perspectiva vem dando sinais, já em 1970, como diagnosticado por CIPOLLA (2017), e já traça caminhos muito interessantes a serem seguidos e aprimorados.

Para servir de inspiração para esta trajetória projetual mais consciente, reunimos alguns exemplos de designers formados e não formados que, conscientemente, colocaram no seu briefing a questão social:

Hikaru Imamura, estudante de design, desenvolveu um produto para auxiliar vítimas de desastres naturais. O Heat Rescue Disaster Recovery é um kit básico que conta com uma bacia de metal, um tonel que serve de fogão a lenha – e acompanha um manual de montagem, pacotes de arroz desidratado, garrafas de água, utensílios, luvas de trabalho, toalhas e 200 porções de comida pré-cozida. A embalagem de madeira foi pensada como combustível para o fogão a lenha. Este kit mantém cerca de 30 pessoas alimentadas por 2 dias, tempo estimado de espera para a ajuda humanitária chegar em áreas de difícil acesso.

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Carlos Franzato ressalta que a inovação social, este campo do design contemporâneo, manifesta-se não apenas em serviços ou sistemas produto-serviço, mas em processos de governo, de organização e de transformação que ocorrem no seio da sociedade (CIPOLLA, 2017), e este projeto é um exemplo disso.

Outra inspiração e que está ligada aos negócios sociais, tipo de negócio com características que bebem desta perspectiva aqui mencionada, é a agência de design Umcomum. Cofundada por Camilla Annarumma, Ricardo Yamamoto e Tatiane Nakasone, na qual estes designers formados pela FAUSP oferecem serviços de design (gráfico, produto e serviços) para projetos que visam a geração de impacto social. Ao entender a necessidade real de seus clientes, o estúdio oferece aquilo que o cliente realmente precisa a custo baixo e de maneira que ela possa pagar com tranquilidade. O Negócio Social é uma visão projetual aplicada não somente na criação do produto-serviço, mas na hora de gerir o negócio. É aplicar o design de forma ampla, em busca de um equilíbrio sustentável.

Vários negócios e oportunidades surgem a todo momento a partir da integração de saberes e práticas. O design é parte da sociedade e tem no seu cerne a integração de todos estes fatores que permitem a quebra de paradigmas para que haja mais justiça e cidadania. Muitas vezes basta que se leia um artigo, conheça alguns projetos e se solidarize com as dificuldades de cada um para poder fazer a diferença. E é este caminho que vai fazendo com que impactemos positivamente a sociedade. A Garden acredita nisto e preza por um mundo em que haja não só designers mais conscientes, mas profissionais de todas as áreas trabalhando em conjunto para um futuro melhor para todos.

 

Referências Bibliográficas:

CIPOLLA, Carla. (2017). Ecovisões sobre Design para inovação social. 83-86.

MONTEIRO, Beany, WAGNER, Ricardo. Escola Superior de Desenho Industrial(ESDI) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Design e Inovação Social. 2015, 1 ed, Zupi Design. [pdf] Disponível em: https://zupi.co/design-e-inovacao-social/

DesignBrasil, 5 Bons Exemplos de design social. 2015. Disponível em: <http://www.designbrasil.org.br/design-em-pauta/5-bons-exemplos-de-design-social/>

PETITGAND, Cécile. Protesto Verde. Estúdio Umcomum: Design para projetos de impacto social. 2015. Disponível em: <http://www.protestoverde.com.br/estudio-umcomum-design-para-projetos-de-impacto-social/>

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